Primeira palestra de Direito no campus Aeroporto debateu sobre a multidisciplinaridade e desafios da profissão

Por Camila Carvalho

Nesta quinta-feira (06), os alunos do primeiro semestre de direito, do campus aeroporto, assistiram à palestra “Os Desafios da Magistratura”, do juiz Fábio Francisco Esteves. Ele falou sobre os desafios que os calouros enfrentarão em toda a trajetória do curso e como devem se preparar desde o início da faculdade para conseguir ser um profissional qualificado no futuro.

O juiz e professor universitário também falou da sua trajetória para se tornar um magistrado. Segundo ele, aquela velha máxima de que o aluno é quem faz a escola, ainda vale nos dias atuais. “Eu estudei em uma faculdade que não tinha muitos recursos. Minha turma ficava em salas de aulas de uma escola pública, cedidas pelo governo porque a faculdade não tinha campus. Não tinha biblioteca. Os alunos faziam “vaquinha” e compravam livros, cada um ficava dois dias estudando com os livros, depois passava para o próximo. Eu entrei para a faculdade com toda aquela boa expectativa e acabei ficando frustrado no início, mas não deixei isso me abalar. Hoje, não temos mais desculpas, existem muitos recursos. Ontem mesmo assisti à uma palestra no YouTube com professores da Universidade Yale”, relata.

Ele conta que desde a faculdade, começou a estudar para a carreira de juiz. Após concluir o curso, conciliou os estudos para o concurso com o trabalho como bancário, trabalhando nove horas por dia, estudando aos finais de semana. Após dois anos, foi aprovado. “Quando conto isso, as pessoas já têm a “síndrome do gênio”. Acham que sou “cabeção” e que jamais aconteceria com elas, mas não é verdade, tem que ter dedicação”, enfatiza.

O tema central da palestra foi sobre como a multidisciplinaridade é muito presente no direito e de como a profissão exige uma formação sociológica do aluno. “Não podemos entender o direito como um conjunto de caixinhas separadas uma das outras. O direto é uma coisa só. Nós que nomeamos as coisas. Um bom profissional tem que compreender que o direito é um fenômeno interdisciplinar. Estamos numa sociedade extremamente complexa e o direito é um fenômeno crítico e deve ser específico para cada hipótese. Os grandes debates atualmente é como produzir certezas no direito porque trabalhamos com princípios, antigamente, a norma que dava sentido ao fato, hoje, o contrário. Isso é irreversível. Não podemos retornar ao trabalho artesanal: regra, fato e sentença. Hoje, a complexidade exige do profissional a mesma condição”, disse.

Para o magistrado, os alunos precisam se conscientizar sobre a importância da graduação, que os cinco anos em sala de aula exigem muitas leituras e compromisso. “Se a faculdade apertar os cintos do aluno, ele desiste, sai da faculdade, vai buscar outra que não faça. O direito exige muita leitura, temos que buscar por técnicas de estudos, criar hábito. Isso é fundamental”, alerta.

Em relação a carreira de magistratura, o palestrante deixou claro que para trabalhar como juiz, o profissional precisa, sobretudo, ser empático. “O juiz tem que ter empatia das causas sem tomá-las para si. A Magistratura exige, sobretudo, empatia. Tenho que conhecer e entender o problema das pessoas. Temos que sair do gabinete para compreender o fenômeno social”, finaliza.

O aluno Marcus Júnior falou como a palestra agregou para o entendimento da carreira. “Eu achei a palestra muito interessante para a gente entender como funciona a carreira e para focar na preparação acadêmica durante esses próximos anos”.

A palestra foi organizada pela professora da disciplina Oficina Jurídica, Nayara Santana. “A disciplina de Oficina Jurídica, presente na nova grade curricular, existe com o intuito de ministrar aos alunos do primeiro semestre conhecimento acerca do exercício das carreiras jurídicas. A fim de congregar e harmonizar teoria à prática, a coordenação e eu procuramos desenvolver atividades que despertam ainda mais a paixão desses alunos ao universo jurídico. A adesão dos alunos foi incrível e eu me sinto feliz em poder aproximá-los e incentivá-los  a tornarem-se, de fato, apaixonados pelo que fazem, assim como eu sou”, disse.