Incêndios florestais estão em debate em todo o mundo

Por Rafael Lessa

A última edição do Sexta de Arte, realizada na quinta-feira (12), ofereceu uma palestra aos alunos do curso de Agronomia acerca do tema “Amazônia – Preservar ou Conservar?”, proferida pelo professor João Câmara, que também é servidor do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O projeto é uma iniciativa da Pró-Reitoria de Extensão (Proex).

Os incêndios nas florestas brasileiras estão em discussão mundialmente. De acordo com o material distribuído pelo palestrante, produzido pelo Ibama, o período climático de seca e ventos contribuem para as queimadas. O mesmo, contudo, aponta como principais causas do fogo ilegal o analfabetismo ambiental; fatores culturais; extrativismo; expansão de áreas rurais; incêndios criminosos e técnicas adequadas de produção rural.

“A questão que mais preocupa hoje é a ilegalidade. Existem queimadas previstas legalmente, que são controladas. Mas o fogo ilegal, não autorizado, é o grande foco do nosso combate, requer fiscalização”, disse o professor Câmara, que é doutor em Desenvolvimento Sustentável.

A turma da disciplina Manejo e Conservação do Solo e da Água, ministrada pelo professor e coordenador do curso, Marcelo Marinho, formou a maioria da plateia.

Efeitos da ilegalidade

As consequências do fogo ilegal são diversas. Na saúde humana, desencadeia doenças respiratórias, dores de cabeça, náuseas, alergias, complicações cardiovasculares, efeitos no sistema nervoso e intoxicação ou morte por asfixia. Tudo isso gera consequências na sociedade, a exemplo do aumento do número de atendimentos hospitalares, problemas no abastecimento de água e fornecimento energia elétrica, vulnerabilidade social, entre outros.

No solo, o fogo descontrolado e não-autorizado provoca a perda da fertilidade, da produtividade, de minerais e da capacidade de reter água. Também causa o aumento no uso de agrotóxicos e herbicidas para o controle de pragas e de plantas invasoras, além da eliminação de microrganismos e de nutrientes que se transformam em gases ou cinzas. Na fauna e flora, a perda de diversidade genética, a migração forçada de animais e o estresse hídrico.

Provocar queimadas sem autorização é crime ambiental, previsto na Lei 9.605/98. E existem alternativas ao fogo, como a adubação verde, a agricultura orgânica, a arborização das pastagens, o carbono social (redução das emissões de carbono na atmosfera) e a compostagem, que é a transformação de restos vegetais e de alimentos em materiais orgânicos para uso na agricultura. O reflorestamento social e a pastagem ecológica também são exemplos.

CongressoEm outubro acontecerá a 7ª Wildfire, a Conferência Internacional Sobre Incêndios Florestais, no Mato-Grosso do Sul. O evento realizado para a troca de conhecimentos entre profissionais de todas as nacionalidades ligados ao manejo do fogo e ao controle das queimadas. Vários países que enfrentam esse problema participarão. Mais informações sobre o evento podem ser obtidas no site do Ibama, no endereço www.ibama.