Por Rafael Lessa

Educação nos presídios e violência doméstica são temas de debates

Nesta semana, o curso de Pedagogia do Centro Universitário Icesp realizou, na unidade do Guará, um Workshop Pedagógico, para debater o papel da educação em temas relevantes da atualidade. O evento foi aberto ao público e garantiu certificado de horas complementares para os alunos.

Na primeira noite, a mesa foi 100% feminina, com quatro feras que atuam em presídios do Distrito Federal, debatendo sobre educação no sistema prisional. Foram elas: Luciana Farias, agente penitenciária; Ângela Damasceno e Sônia Lima, pedagogas do sistema prisional; e Elizângela Caldas, diretora do Centro Educacional 1 de Brasília, que cuida de alunos presidiários do Distrito Federal.

Na discussão, o consenso de que a educação está entre as principais ferramentas para auxiliar na ressocialização de detentos. “O debate confirmou que a Pedagogia pode ser feita fora da sala de aula, em ambientes e espaços não escolares. Aliás, a sala de aula pode ser onde você quiser”, comentou o professor Jorge Clauss, que supervisionou o evento.

“Nós sabemos que a função do pedagogo é primordial na realidade carcerária, mas elas (palestrantes) trouxeram mais informações sobre a vivência dentro desse sistema”, comentou a aluna do 8º semestre noturno, Ana Paula Martins.

Violência doméstica

Na segunda noite do Workshop Pedagógico, o debate foi acerca da educação e o desafio da violência doméstica. Participaram o conselheiro tutelar Elvídio Figueiredo; Raíssa Mendes e Danilo Ribeiro, do curso de Direito do Icesp e Cida Lima, pedagoga e coordenadora do projeto Vira Vida – Pedagogia da Presença.

A discussão envolveu a colocação do Brasil no ranking da violência contra a mulher: é o 5º lugar com mais casos no mundo e o primeiro da América Latina. “Só agora esse tema está tomando corpo, mas nós não vemos ações de prevenção. Como esse assunto está sendo tratado nas escolas?”, questionou Daniel Ribeiro.

Vira Vida

Na ocasião, a pedagoga Cida Lima falou sobre a temática da violência sexual contra crianças e adolescentes no Brasil e a tecnologia de enfrentamento do programa Vira Vida, uma iniciativa do Sesi, realizado em parceria com o Sesc, Senac e Sebrae.

“É uma tecnologia que resgata indivíduos que não têm identidade, não têm acesso aos equipamentos públicos, que são negligenciados, e devolve à sociedade um cidadão protagonista, qualificado, ciente das suas forças”, explicou Cida.

De acordo com a coordenadora, é possível resgatar as vítimas de violência com uma educação que liberte, que transforme. “É o que oferecemos a esses meninos e meninas, para que eles possam voltar a sonhar em ter um futuro diferente daquele que já foi condenado”, completa.

No Distrito Federal, o programa existe desde 2009 e atende 100 crianças e jovens. Também está em outras 11 cidades brasileiras e na América Central. Sendo violência sexual no Brasil é crime hediondo, quem encaminha as vítimas ao Vira Vida é a rede de proteção: CRAs, conselhos tutelares, programa de atendimento à vitima de hospitais, o Ministério Público e igrejas.